31 de dezembro de 2008

Santíssimo Nome de Jesus


No primeiro dia do ano, a Igreja celebra a solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus e a Imposição do Nome de Jesus. Santo Inácio queria que a Companhia «tivesse por distintivo o Nome de Jesus» (Formula do Instituto, 1). De facto, para nós jesuítas, o Filho de Deus revela-nos o modo como queremos viver a nossa vocação. Mas, qual o nome que melhor nos identifica com o Filho de Deus? Qual o nome que mais assemelha a Sua vida à nossa?
Na Escritura, vários são os nomes, e títulos, que se atribuem a Jesus. Em primeiro lugar, temos uma série de nomes que acentuam a Sua divindade: Cristo, que significa “ungido”; Senhor; Filho de Deus; Verbo de Deus; Emanuel, Deus connosco; Cordeiro de Deus; ou Filho do Homem, com forte conotação escatológica na tradição judaica.
A pessoa de Jesus é também nomeada com nomes mais humanos, como Rei, Rabi, Mestre, Profeta ou Bom Pastor. Mas, estes são nomes que incidem mais no poder e no respeito que o Filho de Deus merece.
Os nomes que acentuam mais o aspecto humano – como, Nazareno, Filho de Maria, ou Filho de José, por exemplo – são demasiado particulares para nomear um Homem que se entregou ao mundo inteiro.
Jesus, Ye•shú•á em hebraico, significa literalmente “Deus Salva”. Mas além disso, é um nome comum, vulgar, susceptível de ser atribuído a qualquer pessoa do seu tempo e da sua cultura. Jesus espelha, portanto, o lado humano do Filho de Deus. Contudo, essa humanidade não se esgota em si mesma: a simples vida humana, se humanamente vivida, espelha a Salvação que só Deus pode dar.

28 de dezembro de 2008

Um menino destes não se improvisa!


Hoje festejamos o dia da ‘Família de Nazaré’. É pedido a todos os cristão que, especialmente neste dia, se comprometam cada vez mais a sério a tomar esta família por modelo. Mas, simples e directamente, como poderemos tomar por modelo uma família em que o Pai é adoptivo, a Mãe é a virgem que concebe por obra do Espírito Santo e o filho é totalmente homem e Deus ao mesmo tempo? Não será esta família um ideal impossível? Uma formulação inatingível, fechada dentro de uma redoma de vidro?

A semana passada li uma frase num jornal, dizia ser do Paulo Coelho mas por acaso é de Jesus e vem em São Lucas. “Conhece-se a árvore pelos seus frutos”. Talvez possamos conhecer se a árvore (família de Nazaré) é boa, pelo fruto (Jesus). No tempo da sua vida pública Jesus foi um homem próximo dos mais pobres, amigo dos que eram marginalizados pela sociedade, tinha uma linguagem que era entendida pelos cultos e pela gente simples, comia com os sacerdotes do templo e com os cobradores de impostos e prostitutas, conversou com Nicodemos e com a mulher adultera e a todos transformou.

Um menino destes não se improvisa! Para isto Deus confiou o seu próprio filho a uma família simples e pobre. Foi aí que o ‘Filho de Deus’ aprendeu a falar, a tratar da Sua higiene pessoal, a vestir-se, a comer à mesa com quem quer que fosse, a ler a ‘Palavra de Deus’ na sinagoga, a rezar, a aproximar-Se dos mais pobres e esquecidos da sociedade nos quais reconheceu os filhos predilectos do seu Pai, que por meio d’Ele se iria tornar Pai de todos. Um menino destes não se improvisa!

Talvez neste tempo de infância, Jesus terá conhecido alguma pastora que sacrificara 99 ovelhas, deixando-as no deserto, para ir à procura daquela que estava perdida. Será que foi nalgum passeio de família ou da comunidade judaica, antes do sabbath para não se esgotarem os passos permitidos pela lei, que Jesus contemplou os lírios do campo e as aves do céu ou um semeador de trigo e grãos de mostarda? Conheceu certamente, às escondidas, algum estrangeiro, samaritano por certo, que lhe agradeceu a hospitalidade, alegando já ter cuidado e tratado de um israelita que vira meio morto na beira da estrada, por ter sido assaltado no quilometro 113. E ainda conheceu algum Pai que perdoou e acolheu o filho depois deste, fugido de casa, lhe ter gasto muito dinheiro em roupas de marca, festas e mulheres.

Foi certamente no seio desta família, e/ou por causa dela, que Jesus aprendeu a ouvir Deus e a perceber-Se enviado a ser o libertador e redentor de toda a humanidade. Levantar os que estavam social e interiormente abatidos e espezinhados pela sociedade. Foram eles a mulher adúltera e Nicodemos, o cego de Jericó e a Samaritana, os pescadores da Galileia e as multidões de quem se encheu de compaixão e pregou depois de uma longa caminhada que fizera. Levar à ruína os que se elevam à custa de outros, para que se levantem a partir do que são e não a partir da honra e glória que criam para proveito próprio. Foram eles alguns fariseus e doutores da lei, os homens ricos e poderosos da época, os que exploravam os trabalhadores. Um menino destes não se improvisa!

Diz o Evangelho de hoje que Jesus crescia em inteligência, robustez e graça. Como podem as nossas famílias tomar por modelo a família de Nazaré a fim de educarem os filhos para este crescimento de Jesus? Certamente que levar os filhos à escola, inscreve-los no futebol e oferecer-lhes o “Etiqueta e Boas Maneiras” da Paula Bobone é algo de muito bom, mas que não chega para criar ‘outros’ Jesus. A inteligência e a robustez são dimensões importantíssimas para o crescimento, e seria um desprezo pela criação não cuidar delas por desleixo. Contudo é essencial que a família cristã crie, na relação entre pais e filhos, um espaço vital para Deus. Sabendo que viver em Deus não consiste num ideal esfumado e afastado da realidade, nem se resume a uma data de ritos caídos do céu. É, antes de tudo, uma vida que se deixa tocar por um Deus Pai que se vai conhecendo pela leitura da vida de Jesus, e assim aprende a ler, criar e desenhar a sua própria vida a partir do exemplo e forma de ser de Jesus.

Com Jesus, o modelo de família não se resume a uma data de perfeições. O modelo de família cristã para hoje, feito ícone na de Nazaré, é aquela que, pela união e capacidade incondicional de perdão sincero e construtivo, faz com que a criança perceba que a sua família é maior que o seu agregado familiar. Assim a família deixará de ser somente um ponto de estabilidade ou lugar de origem, mas será lugar de Pentecostes, presença do espírito de Deus que envia para o serviço aos irmãos. Assim sendo já ninguém tirará um curso para ganhar muito dinheiro, ninguém mais dará esmola e atenção para ser bem visto, ninguém mais dará presentes de casamento para receber outros, ninguém mais será cego. Deus será tudo em todos, porque cada um de nós tentará ser tudo para todos, a imagem de Cristo que passou fazendo o bem.

Resta perguntar: Será que é isto que esperamos para as nossas famílias e comunidades religiosas? E se os meios para chegarmos a este fim não forem os que me apetecem ou os com que eu concordo, estou disposto a colaborar no projecto de Deus? Jesus é para mim motivo desta salvação?


(Embora neste filme Jesus seja demasiadamente caucasiano para um judeu, vale a pena ver)


26 de dezembro de 2008

um tsunami sobre declarações do Papa

A excelente Enciclopédia de Termos Lógico-Filosóficos, organizada por João Branquinho e Desidério Murcho e editada pela Gradiva, define do seguinte modo o argumentum ad hominem (argumento contra a pessoa): “quando se pretende argumentar contra um argumento promovido por alguém argumentando contra a pessoa (por exemplo, apresentando-a como um hipócrita, tu quoque) e não contra o argumento.”

Na passada segunda-feira, o Papa Bento XVI proferiu um discurso no qual se pronunciou sobre algumas questões éticas controversas. O jornal Público deu-lhe honras de primeira página, e um tsunami de agressivas críticas varreu os meios de comunicação social, incluindo a blogosfera (ver, a título de exemplo, o dererummundi e o avenidacentral). As críticas não resistiram ao argumentum ad hominem, e revestiram-se com frequência de injúrias à pessoa do Papa não só pelo que disse mas também pelo modo como se veste, pela sua intolerância, etc. Não digo que não tenha havido também alguma racionalidade na argumentação, mas surpreendeu-me a agressividade e o baixo nível de vocabulário utilizado contra o homem. Que se façam análises críticas objectivas, informadas e inteligentes, dos discursos do Papa, dos Bispos, dos Padres, é algo a encorajar. A procura da verdade é uma aventura colectiva para a qual todos sem excepção estão convidados. Mas o argumentum ad hominem não leva a lado nenhum, bloqueia o diálogo, cria separações, afasta as pessoas. Não será possível discutir os discursos do Papa de forma objectiva e racional, deixando de lado o tom agressivo e até mesmo ofensivo? Creio que sim.

Na sua mensagem de Natal, o Papa apelou à paz na Palestina, à estabilidade na África, condenou as situações na República Democrática do Congo, no Sudão, no Darfur, na Somália e no Zimbabwe. Não vi dos habituais críticos do Papa qualquer palavra de aplauso. Porquê?

21 de dezembro de 2008

O Deus que se aproxima!

O horizonte das nossas relações está constantemente marcado por uma busca incessante de proximidade. O afecto pede gestos concretos de atenção que não nos cansámos de pedir. Não é algo de secundário nas nossas vidas, pois marca indelevelmente o ritmo das nossas alegrias e tristezas. Passando pela experiência do amor, sabemos de antemão que há um profundo desejo de tocar a realidade do outro, uma ânsia infinita de estar junto, próximo, evidente ao seu olhar. Sendo assim na nossa própria experiência de amor, ainda que sempre manchada pelo nosso próprio egoísmo, será imaginável o desejo de proximidade de Alguém que ama sem limites?
As leituras deste domingo abrem uma janela sem precedentes no nosso horizonte de fé. Este Deus que durante séculos pareceu distante, frio e situado num patamar inacessível, torna evidente e clara a sua presença. É um Deus de um amor sem limites por aqueles que Ele mesmo criou. É admirável o modo como aparece na 1.ª Leitura, abusando da ternura e atenção para com David. "Serei para ele um pai e ele será para Mim um filho". Não é possível ficar indiferente a este cuidado de Deus, às suas palavras acolhedoras e comoventes. Sentimo-nos inteiramente nas suas mãos, confiantes na sua protecção, como um filho se sente protegido de todas as agressões quando repousa no colo de sua mãe. O ser humano perante a sua existência, vivida num horizonte de fé, alcança este estado de plena segurança naquele que o criou. É um dinamismo de vida!
Depois do alerta presente na 2.ª Leitura de que "a revelação do mistério encoberto desde os tempos eternos" está agora evidente, deparámo-nos com o Gesto. O Evangelho recorda-nos a encarnação de Deus, que abandona a sua grandeza, o seu poder infinito, o seu estado autêntico e magnânimo, para se tornar um de nós. O quebrar da distância, especialmente se falámos de uma distância elevada ao extremo, marca o gesto de proximidade que só o amor pode gerar. O amor ensina-nos a abdicar do nosso estado, dos nossos interesses e desejos para nos dirigirmos para um outro. É esta a principal mensagem que Deus transmite à humanidade.
O amor é a saída para todas as nossas dúvidas e inquietações. Não há maior lição a aprender nesta vida. Nem os maiores sábios da natureza o poderão revelar com maior clareza. Quando o infinitamente rico se faz pobre, quando o infinitamente grande se faz pequeno, quando o infinitamente poderoso se faz frágil. Só o amor pode provocar tais decisões. Deus sofre com o nosso sofrimento, sente o nosso grito incessante por um sentido mais profundo. Porque nos ama não suporta a nossa dor. A sua resposta vem através da sua revelação à humanidade. A vida de Jesus Cristo é a resposta definitiva de Deus pois só n'Ele encontrámos a saída para todas as nossas inquietações.
Ser humano, ser verdadeiramente humano é amar. Não há mais segredos por revelar. Porque continuámos à procura de respostas quando o que profundamente desejámos está tão claro e evidente?
Toda a humanidade deseja a felicidade, esse estado de existência sereno e optimista. Porque não O encontrámos? Ninguém nesta vida está imune ao amor. Todos experimentámos os seus efeitos, como nos transforma e nos faz relativizar o nosso próprio ego. A alegria profunda encontra-se aqui e todos nós sabemos.
Sendo assim, de que é que estámos à espera?

21 de Dezembro de 2008 - Domingo IV do Advento
LEITURA I
2 Sam 7, 1-5.8b-12.14a.16
SALMO RESPONSORIAL
Salmo 88 (89), 2-3.4-5.27 e 29 (R. cf. 2a)
LEITURA II
Rom 16, 25-27
EVANGELHO
Lc 1, 26-38

20 de dezembro de 2008

18 de dezembro de 2008

"degrau a degrau"

Considero que venci esta sensação vaga e assustadora que tinha dentro de mim. A vida é realmente difícil, uma luta de minuto a minuto, mas a luta é sedutora. Antigamente via um futuro caótico pela frente, porque eu não queria viver o momento que estava à frente do meu nariz. Queria que tudo me fosse oferecido, como uma criança muito mimada. Às vezes tinha a certeza, embora fosse uma sensação vaga, de que no futuro «poderia vir a ser alguém», de que poderia vir a fazer algo de «espantoso»; e outras vezes aparecia-me novamente o medo caótico de que «no fim estaria perdida». Começo a entender por que é que isso acontecia. Recusava-me a cumprir as obrigações óbvias que tinha pela frente, recusava-me a ir ao encontro do futuro, degrau a degrau. E agora, agora que cada minuto é pleno, cheio de vida e experiência e luta e vitória e depressão, seguido de imediato por mais luta e por vezes sossego, agora deixei de pensar no futuro, quer dizer, é-me indiferente se mais tarde vou realizar algo de espantoso ou não, porque algures no meu íntimo estou certa de que alguma coisa há-de sair. Antigamente vivia continuamente num estado preparatório, tinha a impressão de que tudo o que fazia não era a «sério», mas sim a preparação para algo diferente, algo «grande», a sério. Mas agora deixei-me totalmente disso. Agora, hoje, neste minuto, vivo e vivo plenamente, e a vida é digna de ser vivida.

A 9 de Março de 1941, em pleno ambiente de perseguição e extermínio judeu, Etty Hillesum decidiu «confiar o ânimo reprimido a um insignificante pedaço de papel quadriculado».

A última entrada do seu diário de que há conhecimento data de 13 de Outubro de 1942.
Em Setembro de 1943, Etty foi deportada para Auschwitz, vindo a falecer em Novembro desse ano.



16 de dezembro de 2008

VIII Semana de Estudos de Espiritualidade Inaciana.
Fátima, de 6 a 8 de Dezembro.
Crer na fronteira,
habitar novas fronteiras
.


Pequeno excerto da conferência inaugural

14 de dezembro de 2008

Gaudete – o Domingo da Alegria



Dia após dia aproxima-se aquele dia, o da memória do gesto mais profundo e amoroso, no momento em que Deus quis estar assim tão próximo, nascer um de nós. Hoje, Domingo da Alegria, a Igreja convida-nos a aguardar alegremente Aquele que vem da parte do Pai. É Ele a causa dessa mesma alegria, porque a nossa espera encontra no seu horizonte um Deus que enviou à Terra não o flagelo, mas o seu Filho numa criança e, n'Ele, o amor e a graça.


O que é que habita o nosso horizonte? Quem ou o quê procuramos? Que luz?


Pouco antes de Jesus iniciar o anúncio do Reino, apareceu João “para dar testemunho da luz, a fim de que todos acreditassem por meio dele. Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz”. É frequente o nosso olhar desviar-se do essencial e deter-se no que apenas dá testemunho, sem notar que é frágil e, não poucas vezes, enganadora a consolação que nos traz. Perde-se cego, como as gralhas que desejam possuir qualquer metal vulgar que brilhe no chão, sem reconhecer que esse brilho fala, dá testemunho, do brilho do Sol.


Houve quem julgasse que João era a luz. Mas João não era o Messias, nem se tomou por alguém de suma importância, quando lhe perguntaram


“Quem és tu?”, “És o Profeta?”, “És Elias?”,

“Que dizes de ti mesmo?”.


João não diz de si mesmo, mas de Alguém que está já entre eles, que não conhecem, para Quem não olham – “Eu sou a voz” d'Aquele que é a Palavra e a Luz do mundo.


Contemplamos já os primeiros raios da aurora, aqueles que anunciam o fim da cegueira da noite e dão testemunho da estrela que irá nascer e será luz para o mundo.


14 de Dezembro de 2008 - Domingo III do Advento
LEITURA I Is 61,1-2a.10-11
SALMO RESPONSORIAL Lc 1, 46-48.49-50.53-54
LEITURA II 1 Tes 5,16-24
EVANGELHO Jo 1,6-8.19-28


12 de dezembro de 2008

Colóquio: Porquê dilemas éticos se temos neurónios?

Realiza-se no próximo sábado na Faculdade de Filosofia de Braga um Colóquio sobre o tema ‘Porquê dilemas éticos se temos neurónios?’ Seremos nós determinados neuralmente nas decisões éticas que tomamos, na resolução de dilemas éticos, de tal modo que deixe de fazer sentido falar em liberdade? A esta pergunta. Há quem responda ‘sim’ e quem responda ‘não’. Com que argumentos? O Colóquio pretende esclarecer estas questões.
Participam: Sara Fernandes (UCP, Lisboa), “Prisioneiros do próprio cérebro ou livres na vontade?”; José António Alves (UCP, Braga), “A ilusão de liberdade”; Alfredo Dinis (UCP, Braga), “As bases neurobiológicas da ética em António Damásio”; Manuel Curado (UMinho), “A vida perfeita: sem ética e sem neurónios”; Judite Zamith Cruz (UMinho), “Constrangimentos à plasticidade estrutural na relação humana: mudança no eu e nos valores”; José Paulo Santos (ISMAI), “Neuromarketing: emoções e relevância social nos cérebros dos consumidores”; Ana Morais Santos (UBI), “Fundamentos naturais da ética: onde está o contra-senso?”

O Colóquio é organizado pela Sociedade Portuguesa de Ciências Cognitivas em colaboração com a Faculdade de Filosofia.

5 de dezembro de 2008

dilemas éticos

Inicia-se na próxima quarta-feira, 10 de Dezembro, na Faculdade de Filosofia de Braga, um Seminário sobre “Dilemas Éticos: para uma tomada de posição ético-filosófica”. Pretende-se implementar um procedimento padrão para tomadas de decisão ética. A metodologia é a seguinte: análise dos factos, identificação do dilema ético envolvido, estudo dos possíveis cursos de acção, avaliação das implicações éticas inerentes a cada um deles, tomada de decisão e sua justificação ética. O Seminário é constituído por 7 encontros mensais, de Dezembro a Junho, das 20h às 22.30h, e é aberto ao público. A taxa de inscrição é de € 5.

3 de dezembro de 2008

São Francisco Xavier



«conhecer e sentir dentro de suas almas a vontade divina, conformando-se mais com ela que com as suas próprias afeições, dizendo: “Senhor, eis-me aqui; que queres que eu faça?”»

Ao olharmos para a vida de São Francisco Xavier encontramos um autêntico cidadão do mundo. Nasceu no castelo de Xavier e passou a infância em Navarra, com a nobreza da sua família. Aos dezoito anos foi estudar para Paris, como era próprio do seu estatuto social. Depois dos estudos, já convertido a Cristo, peregrinou até Roma como mendigo e acabou por ser ordenado padre em Veneza. Esteve ainda em Portugal antes de partir para a Índia, onde baptizou milhares de pessoas que não resistiram à autenticidade e ao alento das suas palavras. Viveu ainda dois anos no Japão e morreu às portas da China, inflamado pelo desejo de entrar naquele país.

A sua origem nobre permitiu que cultivasse muitas ambições durante a juventude. De facto, Francisco Xavier ingressou na reputada Universidade de Paris à procura de uma carreira brilhante e ambiciosa.

Contudo, o contacto com Pedro Fabro e, mais tarde, com Inácio de Loiola, abriu-lhe novos horizontes: “De que vale ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua vida?”. Esta pergunta marcou um ponto de viragem na sua vida.

Não deixou de ser quem era. Continuou com o mesmo alento e com a mesma determinação, não para satisfazer as suas ambições pessoais, mas para levar o tesouro do Evangelho a todas as gentes. Foi esse fervor, genuinamente apostólico, que o moveu e lhe deu a força necessária para percorrer muitos cantos do mundo.

Sabemos quem foi Francisco Xavier. Resta-nos agora saber quem ele é, ou seja, qual o significado da sua vida para nós. O exemplo do padroeiro das missões, que entregou a sua vida à utopia do Evangelho, anima-nos ainda hoje a acolher este fervor genuíno, que nos leva a anunciar a fé para além de todas as fronteiras. O Evangelho anuncia-se com autenticidade: foi esse fervor autêntico que lhe permitiu chegar ao coração de todos os que com ele conviveram, mesmo aqueles que, de culturas tão distintas, não eram capazes de compreender a sua língua.

O desejo de Francisco Xavier foi o de ser e «crescer sempre num conhecimento interno do Senhor» para O amar e seguir cada vez mais. «Como dizia o Pe. Nadal, “a Companhia é fervor”» (CG35, decreto 1, nº. 10).

Nota: Quadro e imagem de São Francisco Xavier na Sé Nova de Coimbra| Fotografias de Francisco Campos, sj

1 de dezembro de 2008

Santo Edmund Campion e os Mártires de Inglaterra


Hoje celebramos os dez santos mártires da Companhia de Jesus ( 9 Padres e 1 Irmão Coadjutor ), que foram mortos durante as perseguições religiosas, dos séculos XVI e XVII, em Inglaterra aos católicos.

Edmund Campion nasceu em Londres, no dia 24 de Janeiro de 1540.
Estudou em Oxford e durante a sua formação, foi um dos alunos escolhidos para receber a Rainha Elisabete na Universidade.
Campion era reconhecido pelo seu grande valor, tendo recebido o patronato de William Cecil e do Earl de Leicester, duas das pessoas mais influentes de Inglaterra daqueles tempos.
Após ter renegado ao Anglicanismo, deixou Oxford (1569) e foi para a Irlanda.
Durante o seu tempo na Irlanda, foi perseguido pelas forças protestantes, por causa disso deixou a Irlanda em segredo e partiu para Douai (França), que era nessa altura um ponto de encontro para os católicos exilados de Inglaterra. Aí terminou os seus estudos.

Em 1573, Campion deixou Douai e partiu para Roma, onde entrou no Noviciado da Companhia de Jesus. Seguidamente foi enviado para Viena e Praga.

Em 1580, os Jesuítas começaram a enviar padres para Inglaterra na clandestinidade. Campion partiu com Robert Persons, ambos entraram em Inglaterra mascarados de mercadores judeus.

Durante o seu tempo em Inglaterra, pregou por Berkshire, Oxfordshire, Northamptonshire e Lancashire. Por esta altura escreveu o livro “Dez Razões”. O livro apresentava dez razões contra a Igreja Anglicana, conseguiu a sua impressão na clandestinidade e foram distribuídas 400 cópias por Oxford.
A partir desta altura o ministério de Campion aproximava-se do seu fim. Foi capturado em Lyford, e enviado para Londres.
Na Torre de Londres, foi torturado, tendo sido executado no dia 1 de Dezembro de 1581, juntamente com o Jesuíta Alexander Brian.


  • S. Edmund Campion ( 1581 )
    S. Alexander Brian ( 1581 )
    S. Robert Southwell ( 1595 )
    S. Henry Walpole ( 1595 )
    S. Nichole Owen ( 1606 )
    S. Thomas Garnet ( 1608 )
    S. Edmund Arrowsmith ( 1628 )
    S. Henry Morse ( 1645 )
    S. Philip Evans ( 1679 )
    S. David Lewis ( 1679 )
Recursos
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30 de novembro de 2008

Ele vem aí!

"Mais uma vez!", desabafava um inconformado cristão, antecipando o tempo que hoje começa. "Todos os anos a mesma coisa. Como se já não soubéssemos que Ele vai nascer, já nasceu há uns anos atrás...". Sim, e apesar disto a Igreja insiste todos os anos num tempo chamado Advento, e que se propõe ajudar os cristãos a preparar o Natal.
Para quê estar constantemente a relembrar algo que é público e notável para todos? Não será visível? Luzes, compras, papel de embrulho, músicas melodiosas, azevinho, pinheiros, decorações multicolores... O que mais há a acrescentar? Já não será suficientemente exagerado?
A resposta para estas questões parece ser de uma evidência gritante. Divagando nas leituras deste Domingo
não posso deixar de tentar outra resposta. O Natal pode parecer uma mera comemoração se não soubermos decifrar o seu mais profundo significado. Não podemos ficar indiferentes à intensidade do grito de Isaías: "Oh, se rasgásseis os céus e descêsseis!". Sim, Isaías, Ele desceu e está entre nós! Veio e ficou. Aquele que é imensamente grande, infinitamente distante da nossa pequenez, decidiu descer ao encontro da fraqueza. O Rei, monarca de todos os poderes, abandonou o seu palácio e desceu à humilde habitação do seu povo. O rico fez-se pobre; o são, doente e o ponderado transviado.
O Natal é um grito no meio do deserto, um gesto sublime cuja irreverência nos sufoca. Deus veio, fez-se um de nós, arriscou aproximar-se. Advento significa "vinda", a descida tão esperada pelo povo do Senhor. O Senhor dos tempos não ficou indiferente perante a súplica da humanidade. Aquele que tinha infinitos motivos para se sentir ofendido, rejeitado e esquecido, decidiu perdoar e caminhar na nossa direcção. Como não ficarmos estupefactos perante esta decisão! Como não nos curvarmos em todo o tempo e lugar erguendo as nossas mãos ao alto! Que amor é este que rejeita todo o orgulho ferido e se não deixa fechar na própria dor!
O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; aqueles que caminhavam convencidos de que a sua vida apenas caminhava para o termo, puderam esperar; aqueles que viviam no desespero da dor já não estão sós. Os mais cépticos não podem deixar de se divorciar da dúvida. Deus fez-se homem, estendendo a mão àqueles que havia escolhido.
Chegou o momento ansiado. A espera terminou porque o Senhor se revelou, decidiu não mais ocultar-se. Está exposto na sua grandeza interminável. O menino vestido de simplicidade e pequenez está visível. Que mais poderemos desejar?
A humanidade decaída levantou-se. "Vigiai e Orai" é o apelo inexorável, que ecoa no infinito mais fundo de nós. A alegria que todos os homens e mulheres perseguem desde sempre encontrou uma resposta. Na fragilidade do Menino que está a vir encontra-se a resposta paradoxal. O Amor encarnou estalando com todo o preconceito e malícia. Já não há espaço para rancores, ressentimentos, ódios e guerras.
Queres ser feliz? Então escuta a voz profunda que vem da pequenez da gruta. Vigia e ora. Sê humano. Sê aquilo que és. Reconhece a infinidade da tua existência e abre as mãos. Abraça, levanta, procura, dá! Rejeita a tua razão sempre soberana e quebra definitivamente as cadeias do 'eu', porque Aquele que tudo era, tudo rejeitou para verdadeiramente ser.
Vive e sê! E tudo o resto virá a seguir.


Domingo, 30 de Novembro de 2008 - Domingo I do Advento
LEITURA I Is 63, 16b-17.19b; 64, 2b-7
SALMO RESPONSORIAL
Salmo 79 (80), 2ac e 3b. 15-16.18-19 (R. 4)
LEITURA II
1 Cor 1, 3-9
EVANGELHO Mc 13, 33-37

29 de novembro de 2008

Habitar novas fronteiras

Vivemos num mundo de fossos: entre ricos e pobres, entre ocidente e oriente, entre crentes e não crentes (também entre crentes de diversas religiões)... Estas diferenças podem ser vistas como oportunidades para criar pontes, construir sociedades mais solidárias, dialogar para um mundo mais justo. A espiritualidade que nos deixou S. Inácio de Loiola nos Exercícios Espirituais, a nós jesuítas e a tantos que connosco partilham esta experiência de Jesus Cristo, convida-nos hoje a estarmos presentes e activos nessas fronteiras. Sabemos que a fronteira é um lugar exigente, por vezes perigoso e muitas vezes desvalorizado... Mas estar na fronteira exige sobretudo atenção à voz do Espírito que nos convida a questionar o mundo e a questionar-nos a nós mesmos para permanecermos fiéis Aquele que nos chama e envia.

Este é o mote para a oitava Semana de Estudos de Espiritualidade Inaciana que decorrerá em Fátima de 6 a 8 de Dezembro. 3 dias para reflectir, partilhar e rezar estes lugares que nos desafiam, a partir de conferências, testemunhos e encontros. Um evento aberto a todos, religiosas e religiosos, leigos empenhados, e todos aqueles que desejam descobrir mais a funda a espiritualidade inaciana.

27 de novembro de 2008

O relatório pessimista da National Intelligence Council



O National Intelligence Council (NIC), entidade norte-americana que coordena o trabalho de todas as agências de inteligência do país, revelou um relatório demolidor a médio prazo para os EUA. Desde logo, afirma que a actual crise financeira é apenas o início de uma radical mudança na economia mundial, com a transferência do histórico poderio do Ocidente para o Oriente.
"Os próximos 20 anos serão de transição para um novo sistema, para uma nova ordem mundial, onde os riscos serão grandes e difíceis de antever", diz o relatório "Global Trends 2025".
Prevê que até 2025 o Mundo será um lugar muito mais perigoso, evidencia igualmente que as populações mais pobres, sobretudo de África, terão ainda mais dificuldades a nível alimentar.
Segundo o NIC, a passagem de um mundo com duas superpotências para um sistema multipolar é geradora de mais conflitos.
No horizonte de 2025, o relatório aponta que o aquecimento global, bem como a escassez de recursos, estarão "inevitavelmente" na origem de novas guerras. A esta análise o NIC junta a disseminação de armas nucleares em países considerados "párias" e em grupos terroristas.

Este relatório parece-me mesmo pessimista em relação ao nosso futuro.
A Humanidade está perante um grande desafio, que necessita de uma resposta, não individual de um ou outro país, mas de uma Humanidade unida para o mesmo fim.
As nossas decisões, não afectam apenas os nossos países, mas todo o planeta. O descuido de uns traz consequências para outros. Os desafios são grandes: o aumento populacional, a escassez alimentar, o problema ambiental, todos estes problemas parecem cada vez mais sérios e mais próximos. A solução não se pode encontrar nem nos EUA, nem no Oriente, mas apenas numa Humanidade Unida para o mesmo fim. Enquanto os estados não deixarem de lado os seus interesses, não poderá haver uma solução ou resolução para a crise que hoje atravessamos. O que me preocupa neste relatório, é este sistema multipolar que começa a surgir, na minha opinião, apenas uma humanidade unida pode encontrar a solução para uma maior equidade. Um sistema multipolar, promove não só um maior número de conflitos, mas também um maior distanciamento entre nações.
Isso sim é na minha perspectiva o maior obstáculo para o futuro da nossa Humanidade.

25 de novembro de 2008

S. João Berchmans

Não foi importante entre os seus contemporâneos nem conseguiu fazer alguma viagem perigosa em nome de Cristo. Não curou nenhum doente nem descobriu nenhuma Verdade de Fé. Não fundou, ou sequer reformou, alguma ordem ou diocese. Não aprendeu um dialecto desconhecido, nem defendeu algum povo indígena; não “levantou voo” na oração, nem se lhe abriu a camada de ozono para que ele pudesse ter visto algo menos natural que o ecrã deste computador …


Nasceu em Diest, na Bélgica, em 1599. Entrou na Companhia de Jesus com apenas 17 anos. Contudo, o seu sonho de anunciar o Evangelho na China terminou muito cedo, com uma forte infecção pulmonar, contraída durante os seus estudos em Roma.

Morreu a 13 de Agosto de 1621, com 22 anos.


Então porque é que se justifica estar a ler este texto sobre um rapaz tão normal?

Porque, durante a sua curta vida, ele fez tudo o que era banal de forma extraordinária! A Igreja não o esquece para lembrar que cada gesto pode ser mais do mesmo ou pode ganhar a carga dum verdadeiro milagre.


Hoje, 26 de Novembro de 2008, faz sentido tornar cada gesto num momento intencional de construção do Reino que tanto desejamos? O João Berchmans transformou a vidinha dele em algo pleno de sentido; nós, ou temos uma finalidade, um objectivo, nas nossas vidas e tomamos cada pequena decisão em função desse fim, ou andamos aqui a encher chouriços (literalmente a investir em bilhetes da lotaria do “Quem-Quer-Acordar-Frustrado-No-Dia-Dos-Seus-80-Anos?”).

24 de novembro de 2008

Beato Miguel Pró








Um santo ‘normal’

Todos nós temos sempre algumas ideias feitas do que deve ser um santo. Talvez nem sempre as saibamos distinguir muito bem da ideia de perfeccionismo. Ora, conhecer o beato Miguel Pró ou ‘Cocul’, alcunha que lhe davam desde pequeno, faz com que essa visão se esbata. Miguel Pró foi sempre uma pessoa de uma alegria muito natural, gostava de contar piadas e transmitia muita boa disposição aos companheiros. Gostava de tocar guitarra e, durante o tempo de formação, costumava fazer cartoons para alegrar os companheiros mais abatidos ou introvertidos. E isto não era uma atitude contrastante com os longos momentos que passava em silêncio à conversa com Deus, senão uma continuação da sua vida próxima do Senhor, que fazia com que ele O mostrasse mesmo sem dizer o Seu nome.


Um santo de boina e cigarro na boca

“Se Cristo vivesse (hoje), andaria certamente vestido como eu; usaria os mesmo meios de transporte que eu; teria ido onde eu fui, teria feito o que eu fiz”. Porque razão terá Miguel Pró dito isto? Depois de voltar para o México, após a ordenação e o curso de teologia, Miguel Pró entra num país que começa a perseguir violentamente todos os cristãos. Vestido como o comum dos trabalhadores, ele começa por ir à casa das pessoas para confessá-las e celebrar missa com elas. E não uma missa qualquer. Uma missa que comprometia cada um a perdoar os políticos e soldados opressores, bem como a comprometerem-se num serviço concreto àqueles que mais sofriam com estas medidas e acções, pois, segundo ele, pela missa “tudo se encara de um ponto de vista diferente, tudo se adapta a horizontes mais amplos, mais generosos”.


“A minha vida?!... Que é que ela vale? Dá-la pelos meus irmãos não será ganhá-la?”

Acusado de ter participado na tentativa de assassinato de Álvaro Obregón, presidente mexicano, Miguel Pró é preso. O governo, ocultando por este facto o desejo de acabar com a vida do padre que mantinha clandestinamente algumas comunidades cristãs activas contra a ordem governamental, é condenado à morte por fuzilamento sem qualquer processo judicial prévio. A 23 de Novembro, depois de se ajoelhar em oração na terra nua, Miguel Pró é fuzilado de braços abertos, frente aos políticos e soldados do regime, a quem perdoava.



Diante de uma vida dada em favor do seu povo, por um amor a Jesus reflectido na sua profunda dedicação aos mais pobres, onde O encontrava, volta a ressoar a frase do salmista: “Levanta o pobre da miséria, para o fazer sentar-se com os grandes do seu povo”.
Na vida de Miguel Pró reactualiza-se a vida de Jesus que mostra com clareza a diferença entre perder a vida e dá-la em favor de muitos.

23 de novembro de 2008

O Rei vai nú

Neste Domingo festejamos o dia de Cristo Rei. "Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus", foi a inscrição que Pilatos mandou pôr sobre cabeça de Jesus quando foi condenado à morte.


Muitos anos mais tarde, no ano 1925, adivinhava-se à distância outra guerra, a segunda mundial, mais espantosa que a primeira e que custaria 26 milhões de vidas.


Naquela hora, sofrida na Europa, o Papa Pio XI fez ouvir a sua voz e gritou: "A paz de Cristo, pelo reinado de Cristo!". Assim sendo, com a encíclica chamada "Quas Primas", o Papa instituía a Festa de ‘Cristo Rei do Universo’.


Pio XI insistia na necessidade de reconhecer a autoridade universal de Cristo, porque a aceitação de Cristo faria desaparecer as divisões de pessoas, classes sociais, povos e nações, que acabaria com os ódios e deitaria por terra toda injustiça e toda a escravidão.


Assim concluía o Papa: "é necessário que Cristo reine na mente dos homens, é necessário que Cristo reine na vontade dos homens, é necessário que reine nos corações dos homens, por um ardente amor à Ele; e é necessário que Cristo reine em nossos corpos e em nossos membros para que sirvam à paz externa da sociedade e à paz interna de nossas almas.”


Ora, mas afinal o que quererá dizer hoje Cristo ser Rei? Se Ele veio trazer a salvação a cada um e não às massas, como se de um acordo político se tratasse, que tipo de reinado é este que quer abarcar cada pessoa da história, na sua realidade e circunstância, num abraço comum?


Primeiro há que reconhecer que todos temos imagens feitas na cabeça quando ouvimos algumas palavras do Evangelho que nos é apresentado hoje. Por exemplo: “Sentar-Se-á no Seu trono de Glória”, “Então o Rei dirá” ou ainda “Separará uns de outros”. Estas três expressões levam-nos a imaginar um Deus distante e frio na sua posição de arbitrariedade a separar os bons dos maus, numa inflexibilidade que parece não dar espaço à misericórdia. Mas confrontemos as nossas imagens com o que vemos em Jesus:



Os tronos da glória de Jesus

“Eu próprio irei em busca das minhas ovelhas e hei-de encontrá-las” diz-nos hoje o profeta Ezequiel. Esta frase parece encaixar na descrição dos tronos do Rei Jesus: a manjedoura (sem luzes nem anjos), e a cruz (sem adornos dourados). São tronos porque neles se dão a conhecer as leis deste Rei: Dar a vida em favor dos outros. O trono do Rei parece então deixar de ser uma poltrona acima da estratosfera, e torna-se palco de visita e redenção de Deus.

No trono da manjedoura conhecemos o Rei que está no meio de nós. Perto das vidas comuns da gente simples. Não é o Rei distante dos castelos e palácios, nem faz acessão de pessoas como nós tantas vezes fazemos. O trono é de visita e muita proximidade do nosso coração, das nossas vidas e opções, mas também das nossas dificuldades e crises de sentido.

No trono da cruz conhecemos o Deus da esperança. Não só nos dá Vida nova cheia de esperança e futuro para cada ser-humano, como também, não obstante o sofrimento, dá a vida virado para o mundo e de costas para a cruz. Mostra-nos assim que o amor não é desencarnado, dói realmente. Mas o essencial não é a dor. Ela é o meio indispensável daqueles que são fiéis ao amor. Amor por tudo aquilo para onde, quem ama, se vira de todo o coração.



Rei, diz-me com quem andas, dir-Te-ei Quem és

“Conduz-me às águas refrescantes e reconforta a minha alma.” Nesta frase do salmista leio que só se deixa refrescar e reconfortar quem é necessitado. Só os mais pobres e esquecidos, os que reconhecem de coração sincero a sua pequenez diante de Deus, se deixam guiar pela sede. E, fiel ao amor pelo qual nos visita constantemente, o Rei Jesus faz-se companheiro de caminho dos mais pequeninos do reino, nos quais Se quer deixar reconhecer. É muito fácil admitirmos que as prostitutas, os esfomeados e os drogados são os tais pequeninos que precisam da nossa proximidade e acolhimento, mas admitir que são eles os predilectos de Deus e que neles O podemos ver, reconhecer e adorar, talvez já seja mais difícil dizer e viver. Somo chamados por Cristo a servi-los, não para lhes mostrar o caminho que temos por certo mas para neles nos encontrarmos profundamente com o Senhor, que nos há de transformar o coração se soubermos ir ao encontro dos mais necessitados como mendigos de Deus.

Dizia a Madre Teresa de Calcutá: “No final de nossas vidas não seremos julgados pelos muitos diplomas que recebemos, por quanto dinheiro fizemos ou por quantas grandes coisas realizamos. Seremos julgados pelo ‘Eu tive fome e deste-me de comer. Estava nu, e vestiste-me. Eu não tinha casa e abrigaste-me’.”



O Rei daquela paz que divide e separa uns de outros

Este Rei vai nu! Vive pobre não para fazer a apologia da miséria mas para enriquecer a cada um de nós. Ama e por isso esvazia-se porque dá tudo o que tem, como aqueles apertos vazios que sentimos quando transmitimos totalmente alguma coisa funda que nos estava agarrada ao coração, que dispõe da nossa vida a outros. Será este Rei aquele que determina de forma longínqua quem são os bons e os maus? Não será antes Aquele que propõe um estilo de vida de progressiva insignificância para dar significância aos outros pelo serviço desinteressado e de amor radical que vai contra todas as nossas tendências de honra e prestígio? Será este amor radical, que nos dá uma paz profunda ao coração agradecido diante de tudo, fazendo-o discernir tudo a partir do espírito de Cristo, que só se abraça no contacto constante com a Palavra de Deus, especialmente presente nos gestos de Jesus? Nunca saberemos. Nunca chegam as nossas palavras para entrarem a fundo no que querem realmente dizer estas promessas. Contudo sabemos que esta paz do Rei vem para aqueles que querem amar cada irmão independentemente de si próprios, rejeitando uma vida vista como ‘propriedade privada’, como o Rei Jesus que serve de joelhos, sendo “tudo em todos”. Não é aceite totalmente por ninguém. E separa aqueles que acham que já vivem tudo isto daqueles que, sabendo que sozinhos nada vivem, de coração sincero buscam esta paz e clamam por Deus com verdade, por vezes usando até o Seu nome.



LEITURA I Ez 34, 11-12.15-17

SALMO RESPONSORIAL Salmo 22 (23), 1-2a.2b-3.5-6 (R. 1)

LEITURA II 1 Cor 15, 20-26.28

EVANGELHO Mt 25, 31-46

Bom Domingo


22 de novembro de 2008

Resposta a Ludwig Krippahl

O Ludwig Krippahl, fez no seu blog (ktreta) algumas afirmações acerca do meu texto (in)tolerância religiosa que gostaria de comentar aqui porque elas são comuns a muitos outros não crentes.

1. Referindo-se à minha crítica a Steven Harris e Richard Dawkins, que considero estarem possuídos de um fundamentalismo científico e antireligioso, afirma Ludwig que eles

“Querem apenas que cada adulto possa decidir, livre e informado, se quer religião e qual religião prefere. E se há coisa que às religiões custa tolerar é a liberdade de escolher qualquer fé ou fé nenhuma. Especialmente tolerar aos seus crentes a liberdade de mudar de crença.”

Se ambos quisessem ‘apenas’ isto, então estaríamos todos de acordo. Os crentes não fundamentalistas não valorizam a pressão irracional do medo como motivação de qualquer crença. E se há coisa que religiões como o cristianismo mais respeitam ‘é a liberdade de escolher qualquer fé ou fé nenhuma.’ É verdade que os fundamentalistas islâmicos são contra esta liberdade, mas não podemos cometer a falácia de fazer generalizações precipitadas.

2. O Ludwig afirma de si mesmo:

“considero que todas as religiões são más. Umas são piores que as outras mas nenhuma tem vantagens que compensem porque não há nada na religião que não fosse melhor sem ela. Uma religião diz não mates e não roubes mas mais vale não o fazer por respeitar os outros do que porque deus manda. O amor, a esperança, a justiça e o que mais calhe é tudo melhor, e mais genuíno, se adoptado de forma crítica e ponderada em vez de pela fé. Essa vontade de crer para além do que a crença merece contamina tudo o que a religião possa ter de bom, impedindo-o de ser tão bom como poderia ser.”

O Ludwig contrapõe a motivação racional para o bem à motivação religiosa para o mesmo bem. Mas a motivação religiosa não só não se opõe à motivação racional como a pressupõe. Não seria de louvar que um crente afirmasse fazer esta ou aquela boa acção não porque creia racionalmente que a deva fazer mas apenas porque a religião o obriga. A religião amplia o sentido e a motivação do sentido e da motivação racional, mas não a dispensa nem se lhe opõe. É por ignorar tudo isto que o Ludwig pode fazer afirmações como a anterior e ficar muito convencido de que pensa bem.

3. O Ludwig admite rever a sua posição de crítica à religião,

‘por exemplo, se o Alfredo me explicar como é que acreditar na assunção de Maria, na transubstanciação da hóstia ou na ressurreição de Jesus me tornava uma pessoa melhor. Cuidava melhor dos meus filhos? Amava mais a minha família? Era mais íntegro, melhor profissional, melhor amigo? Não me parece, porque tudo isto é independente de qualquer dogma. Além disso, adoptar um dogma ia privar-me da virtude fundamental que é a disposição para questionar as minhas opiniões e admitir os meus erros. Trocar isso pela fé é muito mau negócio.”

Mas nunca ninguém disse que uma pessoa tem necessária e automaticamente um comportamento ético mais irrepreensível que um não crente em virtude da sua fé. Por outro lado, o Ludwig crê que um crente não pode questionar as suas opiniões nem deixar-se questionar por outros, nem admitir os seus erros. Eu afirmo, muito pelo contrário, que para um cristão – falo da religião que melhor conheço – não só não constitui uma virtude fundamental não se deixar questionar nem admitir os seus erros, mas o contrário é que é de louvar. João Paulo II, por exemplo, admitiu que os teólogos católicos contemporâneos de Galileu erraram na interpretação de algumas passagens da Bíblia nas quais se basearam para fundamentar a sua sentença contra ele.

4. O Ludwig afirma.

“não considero que o Cardeal Patriarca de Lisboa tenha sido intolerante por dizer que «O afastamento de Deus, ou o seu esquecimento e negação, constituem o maior drama da humanidade.»(2) Nisto parece-me que eu e o Alfredo estamos de acordo. Ambos condenamos como intolerante um ateu que queira acabar com a religião a todo o custo e ambos aceitamos como expressão legítima de uma opinião que um padre diga mal do ateísmo. O que me preocupa é que o Alfredo use dois pesos e duas medidas, avaliando por outros critérios o caso em que um ateu diz que a religião é má. Preocupa-me mas não me surpreende. Para se ter fé numa religião sem ter fé em todas é preciso o hábito de usar um critério para uma coisa e outro diferente para as outras todas. Esse hábito eu não quero adquirir porque leva à intolerância. Para se ter fé numa religião sem ter fé em todas é preciso o hábito de usar um critério para uma coisa e outro diferente para as outras todas. Esse hábito eu não quero adquirir porque leva à intolerância.”

O Ludwig deve saber que os cristãos não pregam a intolerância para com as outras religiões. Preferem valorizar o muito que nelas há de positivo. É por esta razão que os cristãos preferem o diálogo construtivo à imposição das suas crenças, muito menos à violência. E é por isso que os cristãos estão na linha da frente na promoção do diálogo construtivo com os não crentes, respeitando a sua descrença. Aqui se situa D. José Policarpo. Outro tanto não poderei dizer de ateus como Harris e Dawkins quanto à sua atitude em relação aos crentes. Não há aqui dois pesos nem duas medidas. O que há são duas atitudes diametralmente opostas.

20 de novembro de 2008

(In)tolerância religiosa

No meu recente debate com o meu colega Ludwig Krippahl, na Escola Secundária de Oliveira do Bairro, sobre o tema “Será que a tolerância religiosa faz sentido?”, dei uma resposta positiva a esta pergunta.

1. Procurei num primeiro ponto esclarecer que para a Igreja Católica a tolerância religiosa para com as religiões não cristãs se baseia no facto de em todas elas haver manifestações autênticas da aspiração dos povos a Deus. Numa intervenção nas Nações Unidas (2002), o representante do Vaticano afirmou:

O mistério de Deus e a fé n’Ele estão no centro de cada cultura e constituem o maior de todos os mistérios. A religião exprime os sonhos, as esperanças e as aspirações mais profundos da pessoa humana. A fé religiosa ajuda a formar a visão do homem em relação ao mundo e diz respeito ao seu relacionamento com o próximo. Com efeito, na história do mundo inteiro, os diferentes povos e culturas dão testemunho dos muitos e diversificados modos de a humanidade abordar o significado da criação, da história e da sua existência pessoal.

Por outro lado, na mesma intervenção se repudiam todas as formas de intolerância religiosa:

"O recurso á violência, em nome do credo religioso, constitui uma perversão do próprio ensinamento das principais religiões. Hoje, a Santa Sé confirma aquilo que muitos líderes religiosos repetiram com tanta frequência: "O uso da violência nunca deve ter uma justificação religiosa, nem pode fomentar o crescimento do sentimento religioso autêntico".
As diferenças entre as tradições religiosas devem ser aceites, respeitadas e toleradas. A prática de qualquer credo há-de ser vivida no respeito pelas outras tradições religiosas. A tolerância religiosa deve fundamentar-se na convicção de que Deus deseja ser adorado por pessoas livres. Esta convicção exige que respeitemos e honremos a nossa consciência pessoal, onde todas as pessoas encontram Deus."

2. Em segundo lugar, afirmei que esta posição da Igreja Católica é consensual mesmo entre pessoas não crentes, excepto aquelas que adoptaram um fundamentalismo científico. Autores como Sam Harris (O Fim da Fé), e Richard Dawkins, (A Ilusão de Deus), para só dar dois exemplos) exprimem a sua intolerância religiosa sem meios termos aos afirmarem que a religião só faz mal, é um veneno que é preciso extirpar imediatamente e a todo o custo. Ludwig Krippahl crê que eu considero fundamentalismo científico a mera crítica da religião, mas eu afirmo que a crítica à religião, mesmo que venha do lado da ciência, só pode ser benéfica. Nenhum crente bem informado teme a crítica de uma ciência bem informada. Este não é o caso dos fundamentalismos científicos a que me referi.

3. Finalmente, citei o caso da posição de um prestigiado cientista, Edward Wilson, que. Apesar de ser um não crente considera que a religião tem um papel importante a desempenhar, juntamente com a ciência, na defesa na natureza. Afirma ele no final da obra A Criação:

“O que poderemos fazer? Esquecer as diferenças, digo eu. Encontrarmo-nos em terreno comum. Isso pode não ser tão difícil como parece a princípio. …Independentemente daquilo que venha a acontecer às tensões entre as nossas mundividências opostas, sejam quais forem os altos e baixos pelos quais a ciência e a religião passem nas mentes dos homens, perdura ainda a obrigação terreal e, porém, transcendente, que estamos moralmente obrigados a partilhar… o amor pela criação”

O fundamentalismo científico e intolerante de Harris e Dawkins para com a religião, contrasta com a tolerância construtiva e inteligente de Wilson. Tenho a sensação de que o Ludwig se aproxima mais de Harris e Dawkins que de Wilson. Estarei enganado?

Gostei de encontrar de novo o Ludwig, e de voltar mais uma vez à Escola Secundária de Oliveira do Bairro. Agradeço o extraordinário acolhimento recebido por parte dos docentes, em particular pelo nosso anfitrião o Dr. Vítor Oliveira, pela Directora e Vice-Directora da Escola, pelos alunos que nos serviram gentilmente o almoço, pelos que introduziram o debate com uma excelente representação teatral e, finalmente, pelos que seguiram o debate com claro interesse. A todos desejo um bom ano escolar.

17 de novembro de 2008

S. Roque Gonzalez, S. Afonso Rodriguez e S. Juan del Castillo

No dia 16 de Novembro, a Companhia de Jesus celebra a entrega de três homens que dedicaram o seu trabalho missionário ao sonho das Reduções, conhecidas como Reduções do Paraguai, pagando por isso com o preço da sua vida.

Roque Gonzalez (nascido em Assunción, Paraguay em 1576), Afonso Rodriguez (nascido em Zamora em 1598) e Juan del Castillo (nascido em Toledo em 1596), entre muitos outros, procuraram levar a fé em Jesus Cristo aos índios, não apenas baptizando e catequizando, mas concebendo toda uma organização social que lhes concedia uma autonomia e uma dignidade nunca vistas. Os índios juntavam-se em aldeias onde aprendiam a ler e a escrever na sua própria língua, mas também os mais diversos ofícios (muitos revelaram-se grandes artistas, produzindo magníficos retábulos, quadros e estátuas) Todos tinham uma inclinação natural para a música, e alguns mostraram ser compositores dotados. Todas as povoações, que chegaram a ser 57 e a albergar cerca de 112 mil índios, tinham escola e biblioteca. Uma das reduções possuía um dos melhores observatórios astronómicos do mundo de então, noutra foi instalada a primeira tipografia sul-americana. Para além disso, os guaranis tinham o seu próprio governo e uma economia comunitária inspirada na economia solidária que sempre haviam conhecido e que não diferia muito da que fora posta em prática pelas primeiras comunidades cristãs.

Esta autonomia chocava frontalmente com a influência até aí exercida pelos feiticeiros que planearam a morte dos três Jesuítas, sendo eles brutalmente assassinados a 15 e 17 de Novembro de 1628, fazendo deles não apenas mártires da fé católica, mas também da cultura indígena e da liberdade política.

O exemplo destes homens e de tantos outros que, durante os séculos XVII e XVIII, deram vida pela utopia da afirmação e autonomia das povoações indígenas anima ainda hoje os jesuítas a anunciar a fé sem a desligar as condições materiais e culturais em que vivem aqueles a quem são enviados. Muito antes das recentes Congregações Gerais, estes santos viveram o ideal de uma fé que exige a justiça e o diálogo com as culturas.
O fim da nossa missão (o serviço da fé) e o seu princípio integrador (a fé dirigida à justiça do Reino) estão dinamicamente relacionados com a proclamação inculturada do Evangelho e o diálogo com outras tradições religiosas, como dimensões integrais da evangelização (CG 34 decreto 2, n. 15).

Escrito por António Ary

16 de novembro de 2008

Vem tomar parte na alegria do teu Senhor



‘Um homem, ao partir de viagem,
chamou os seus servos e confiou-lhes os seus bens.’

Está sempre de viagem o Senhor, sempre ao encontro dos que o esperam. Enquanto isso, e chamando-nos à mesma viagem, confia-nos os seus bens. Concede-nos os seus dons, não como algo estéril a guardar, mas como verdadeiros talentos a pôr a render.

Se olhar um talento vendo apenas o brilho que tem por si, se o procurar guardar, enterro-o. É tímido o meu coração que se fecha angustiado no que tem com medo de o não ter. Temeroso, não tem fé em si nem em Deus que a ele confia, que nele confia. Como é infeliz aquele que abafa o dom que o Senhor lhe deu, que o enterra e ninguém mais o vê!

Ora, é outro o convite do Senhor. Com o talento que recebo, que eu não fique parado! É o Senhor que me dá oportunidade de crescer e de alcançar uma felicidade diferente, verdadeira. Não a de enterrar, mas a de plantar, regar e cuidar para que dê fruto abundante. Então, quantas bocas poderei alimentar, quantas amarguras poderei consolar? Das sementes que me deu o Senhor, quantos cestos de fruta não lhe poderei retribuir? Na verdade, reconheço o Senhor que volta em cada um daqueles que encontro e a quem posso dar algo do que pus a render.

Creio que é então que oiço,

‘Muito bem, servo bom e fiel.
Porque foste fiel em coisas pequenas, confiar-te-ei as grandes.
Vem tomar parte na alegria do teu Senhor’.



Domingo XXXIII do Tempo Comum, 15 de Novembro de 2008

LEITURA I Prov 31, 10-13.19-20.30-31

SALMO RESPONSORIAL Salmo 127, 1-2.3.4-5 (R. cf. 1a)

LEITURA II 1 Tes 5, 1-6

EVANGELHO Mt 25, 14-30