31 de agosto de 2012

o desconhecimento faz mal (4)


Projecto Rabo de Peixe sabe sonhar
 
A meio do Atlântico, a oeste de Portugal, fica o destino daqueles que dedicam 15 dias do seu verão a partilhar a sua vida com as crianças de Rabo de Peixe. Ou este nome soa bizarro, ou é familiar para quem sabe que se trata da povoação mais pobre de Portugal e uma das mais pobres da Europa. Fica situada na Ilha de São Miguel, a cerca de 10 km de Ribeira Grande e 25 km de Ponta Delgada. Dos seus oito mil habitantes mais de metade vive em situação de real pobreza e miséria.

O projecto de voluntariado Rabo de Peixe Sabe Sonhar, nasceu pela iniciativa da Companhia de Jesus e reúne algumas dezenas de voluntários, na sua maior parte universitários dos Centros Universitários da Companhia – CUMN (Coimbra), CUPAV (Lisboa), CREU (Porto), CAB (Braga) –, com a ajuda de uma direcção, constituída fundamentalmente por leigos, e com a colaboração das Irmãs Criaditas dos Pobres, das Irmãs Escravas do Sagrado Coração de Jesus, das Irmãs da Caridade e de algumas entidades civis. São as crianças de Rabo de Peixe que os chamam, são as suas famílias que os tocam e desafiam. O desejo é o mesmo da conhecida sabedoria popular segundo a qual ajudar, mais que dar um peixe, é ensinar a pescar. Muito dinheiro é investido em Rabo de Peixe numa série de infra-estruturas, mas o essencial permanece por fazer: transformar as suas relações, marcadas pela injustiça e pelo sofrimento que males como a toxicodependência e o alcoolismo perpetuam, transformá-las em relações justas e construtivas, de pessoas livres, responsáveis e autónomas, tocadas e renovadas pelo amor. É esse amor que este projecto procura levar e partilhar, dar a conhecer a quem o tem muitas vezes ausente da sua vida. É desse modo que esperamos transformar a realidade, tantas vezes dramática, que lá encontramos.

A colónia de férias que organiza é, desde o início do projecto em 2004, o modo privilegiado de chegar às crianças, aquelas que nos merecem maior preocupação, e por elas às suas famílias, núcleos de tantas histórias de miséria, degradação e sofrimento. A Páscoa e o Natal são também ocasião para um grupo mais reduzido de animadores marcar presença através de outras actividades. Recentemente, estendemos as inscrições na colónia a crianças de outras povoações igualmente desfavorecidas de São Miguel: Lagoa e Peixe Assado. Ao longo do ano, cada núcleo do projecto procura, além de conseguir os meios para realizar a colónia de férias, divulgar o projecto e a realidade de Rabo de Peixe para que seja cada vez menos ignorada.



22 de agosto de 2012

o desconhecimento faz mal (3)

Alguns ateus gostam de repetir a frase de um dos profetas do (novo) ateísmo: “A religião só faz mal”. Esta repetição funciona como um ‘mantra’ para os budistas. É mesmo possível, segundo eles, provar o seu fundamento recorrendo a alguns maus exemplos dos efeitos da religião. Quando algum crente pergunta: não serão as pessoas que vivem mal a sua religião, e não a religião que ‘só faz mal?’. Não, respondem os ateus. A prova está feita. Os exemplos estão aí. 
O mundo está cheio de exemplos, uns bons outros maus. Aos ateus apenas interessam os maus. Bons exemplos têm um inconveniente fundamental: falsificam a tese de que ‘a religião só faz mal’. É por isso que os bons exemplos não só não são aceitáveis pelos ateus como são declarados não existentes.
 
 
Apresenta-se a seguir os Leigos para o Desenvolvimento.
 
Fundados em 11 de Abril de 1986, os Leigos para o Desenvolvimento são uma associação sem fins lucrativos, dotada de personalidade jurídica canónica e civil, reconhecida oficialmente como uma Organização Não-Governamental de Cooperação para o Desenvolvimento (ONGD). O Governo Português, através do IPAD - Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento, Ministério dos Negócios Estrangeiros, reconheceu lhe o estatuto de Pessoa Colectiva de Utilidade Pública em 1995. Uma Associação Católica e uma obra de inspiração Inaciana, que partilha com os Jesuítas princípios e uma missão comuns.
Actualmente com projectos de Desenvolvimento em S. Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique, Timor e Portugal, actuamos preferencialmente na área da educação formal, não formal e informal, na área da saúde, na área da capacitação de organizações da sociedade civil e na área da acção social e desenvolvimento comunitário.
A nossa actuação é através de voluntários LD que permanecem no terreno pelo período mínimo de um ano, privilegiando a relação, o conhecimento local e a simplicidade de meios, sendo assim criada a possibilidade do auto-desenvolvimento das comunidades. Para além do tempo de missão, dos projectos e serviços desenvolvidos os LD são, para os seus voluntários, uma “escola” de vivência intercultural, de respeito e valorização das diferentes culturas e de participação cívica.
 

19 de agosto de 2012

Gosta de viver num país laico?


Entrevista ao P. José Tolentino Mendonça publicada hoje no Diário de Notícias.

“Gosto de viver num país onde existe liberdade religiosa e existe liberdade. O laicismo é uma coisa diferente e, muitas vezes, há ainda um preconceito muito grande em relação à religião. Culturalmente, no nosso país, o cristianismo ainda tem um estatuto de menoridade cultural incompreensível. Porque tem sido uma fonte de cultura e construído  um património cultural que serve a todos. 

Uma coisa que me aflige é o facto de a teologia em portugal não ter direitos de ciência e que uma pessoa de cultura média não leia um livro de teologia, nem conheça o pensamento teológico. Muitas vezes, os próprios Cristãos não são capazes de entrar num debate religioso. A iliteracia que caracteriza em grande medida o catolicismo português é um dos seus grandes problemas.”

16 de agosto de 2012

Assunção de Maria ao Céu

Tendo-se celebrado ontem a festa litúrgica da Assunção de Maria ao Céu, vem a propósito reler duas passagens da Encíclica de Pio XII, Munificentissimus Deus, publicada em 1 de Novembro de 1950, e que declarou este dogma da Fé Católica.

Testemunhos da crença na assunção

13. Desde tempos remotíssimos, pelo decurso dos séculos, aparecem-nos testemunhos, indícios e vestígios desta fé comum da Igreja; fé que se manifesta cada vez mais claramente.

14. Os fiéis, guiados e instruídos pelos pastores, souberam por meio da Sagrada Escritura que a virgem Maria, durante a sua peregrinação terrestre, levou vida cheia de cuidados, angústias e sofrimentos; e que, segundo a profecia do santo velho Simeão, uma espada de dor lhe traspassou o coração, junto da cruz do seu divino Filho e nosso Redentor. E do mesmo modo, não tiveram dificuldade em admitir que, à semelhança do seu unigênito Filho, também a excelsa Mãe de Deus morreu. Mas essa persuasão não os impediu de crer expressa e firmemente que o seu sagrado corpo não sofreu a corrupção do sepulcro, nem foi reduzido à podridão e cinzas aquele tabernáculo do Verbo divino. Pelo contrário, os fiéis iluminados pela graça e abrasados de amor para com aquela que é Mãe de Deus e nossa Mãe dulcíssima, compreenderam cada vez com maior clareza a maravilhosa harmonia existente entre os privilégios concedidos por Deus àquela que o mesmo Deus quis associar ao nosso Redentor. Esses privilégios elevaram-na a uma altura tão grande, que não foi atingida por nenhum ser criado, excetuada somente a natureza humana de Cristo.

13 de agosto de 2012

O desconhecimento faz mal (2)


Missão:
A Equipa de Intervenção Social ERGUE-TE, existente desde 01 de Novembro de 2009, é uma Valência da Instituição Particular de Solidariedade Social Fundação Madre Sacramento, pertencente à Congregação das Irmãs Adoradoras. Tem por missão melhorar as condições de vida, promover a dignificação, o empowerment e combater a discriminação da pessoa – especialmente a mulher – em contexto de prostituição.O seu âmbito geográfico de intervenção é o distrito de Coimbra.

Trata-se de uma Resposta Social inovadora, que tem como população alvo Pessoas que se Prostituem, e seus agregados familiares, com especial atenção à Mulher Vítima de Violência de Género e Exploração Sexual.

Objectivos específicos:
 # Facilitar o encontro com a Pessoa - especialmente a Mulher - no seu contexto prostitucional e familiar, com o objectivo de lhe oferecer informação, apoio e alternativas à sua situação;

# Oferecer um lugar de referência, que contribua para o desenvolvimento integral da Pessoa e sua família e facilite a sua inserção sócio-laboral;

# Em situações de emergência, proporcionar o encaminhamento para espaço de acolhimento;

# Trabalhar na sensibilização e consciencialização da sociedade civil, no que se refere à problemática da Prostituição e Violência de Género;

# Possibilitar alternativas à Pessoa que lhe permitam viver em plena liberdade e autonomia.

Actividades:
A Equipa desenvolve duas grandes acções, distintas mas complementares: 

-na Sede da Equipa/Gabinete de Atendimento. O gabinete de atendimento funciona diariamente e proporciona acompanhamento social, psicológico, aconselhamento jurídico, encaminhamento para o Serviço Nacional de Saúde, fornecimento de material de informação e prevenção de IST's, orientação para formação e inserção laboral, entre outros.

-em Giros no exterior, efectuados com recurso a uma Unidade Móvel adaptada para o efeito. 
 Os giros no exterior são diários e realizam-se nas ruas da cidade de Coimbra, estradas dos concelhos do distrito, bares, pensões e apartamentos, conotados com a prática da prostituição. 


7 de agosto de 2012

O desconhecimento faz mal (1)


Alguns ateus gostam de repetir a frase de um dos profetas do (novo) ateísmo: “A religião só faz mal”. Esta repetição funciona como um ‘mantra’ para os budistas. É mesmo possível, segundo eles, provar o seu fundamento recorrendo a alguns maus exemplos dos efeitos da religião. Quando algum crente pergunta: não serão as pessoas que vivem mal a sua religião, e não a religião que ‘só faz mal?’. Não, respondem os ateus. A prova está feita. Os exemplos estão aí. 

O mundo está cheio de exemplos, uns bons outros maus. Aos ateus apenas interessam os maus. Bons exemplos têm um inconveniente fundamental: falsificam a tese de que ‘a religião só faz mal’. É por isso que os bons exemplos não só não são aceitáveis pelos ateus como são declarados não existentes.
Apresento a seguir a ‘Fazenda da Esperança’, um exemplo que não é conhecido dos ateus. Se o fosse,  continuariam a repetir que ‘a religião só faz mal’? Talvez. O desconhecimento, faz mal, mesmo muito mal! O texto foi retirado do site da ‘Fazenda’ (http://www.fazenda.org.br)

 A Fazenda da Esperança

Experiência inicial - “Nelson Giovaneli se aproximou de um grupo de jovens que consumiam e vendiam drogas perto de sua casa. Isso em 1983, na esquina da rua Tupinambás com a Guaicurus, no bairro do Pedregulho, na cidade de Guaratinguetá interior de São Paulo. Ele foi animado a dar esse passo por frei Hans Stapel seu pároco que o incentivava a viver concretamente a Palavra de Deus.
Nelson conquistou a confiança daqueles dependentes químicos. Um deles Antonio Eleutério foi o primeiro a ser contagiado e pediu ajuda para se libertar das drogas, tudo isso porque Nelson buscava colocar em prática a frase “Fiz-me fraco com os fracos a fim de ganhar os fracos” (I Cor 9,22).

O primeiro grupo - Os companheiros de António notaram algo diferente em sua vida. Isso os levou a buscar a ajudar do jovem paroquiano que lhes propõe viverem radicalmente a Palavra de Deus e à noite encontrar-se na Igreja ao invés da esquina para trocar as experiências vividas a cada dia.
Esse grupo sugeriu a Nelson alugar uma casa para viverem juntos. O aluguer e as despesas pagariam com seus trabalhos. As primeiras atividades foram a limpeza de jardins enquanto Nelson continuava em seu emprego de “office boy”, na cooperativa de laticínio de Guaratinguetá. Tudo o que ganhavam colocavam em comum para se sustentar.

Espalhou-se pelo mundo- A Fazenda inaugurada em Sergipe/AL em 1992 é a primeira fora de Guaratinguetá. A primeira comunidade fora do Brasil nasce na Alemanha, na terra de seu fundador frei Hans, 15 anos depois de seu início.”

A Fazenda da Esperança se espalhou do ocidente para o oriente ganhando proporções globais. Ficou ainda mais conhecida no mundo depois da visita do Papa Bento XVI à comunidade das Pedrinhas na cidade onde nasceu esse trabalho no interior de São Paulo em 2007."

PS-A Fazenda da Esperança acaba de chegar também a Portugal,  Diocese de Viseu.

Apresenta-se a seguir um vídeo sobre esta experiência:

 


2 de agosto de 2012

Ateísmo (em) português (2)


           
Os ateus de língua portuguesa afirmam-se detentores exclusivos do humanismo, do racionalismo e do espírito crítico, ao contrário dos crentes que nunca sequer ouviram falar de tais coisas. Ora, os seus sites são regra geral alimentados com elementos retirados de outros sites da rede ateísta mundial, pelo processo de copy-paste, sem que o espírito crítico ateu se dê ao trabalho de confirmar a verdade do que copiam. Supõe-se que tudo o que vem de um site ateu é verdadeiro – por definição e ‘pela própria natureza das coisas’!

            Já tive a oportunidade, por diversas vezes, de chamar a atenção do espírito humanista, racionalista e crítico ateu para incorrecções e inverdades que apresentam acriticamente como verdades, sem se perturbarem em confirmar o que afirmam através da consulta das respectivas fontes.

            Foi o que sucedeu recentemente com um episódio que teve como protagonista Sanal Edamaruku, Indiano, presidente da Indian Rationalist Association. Tal como foi contado na rede ateísta, humanista e racionalista, extremamente crítica, de todo o mundo, o facto narra-se em poucas palavras. De uma imagem de Cristo Crucificado saiam gotas de água, o que logo foi considerado como milagre pela Igreja Católica. Demonstrado porém por Sanal que se tratava de um fenómeno natural de infiltração de águas na estátua, logo a Igreja Católica o levou a tribunal por ter negado que o facto constituísse um milagre. Esta versão dos acontecimentos foi imediatamente anunciada pelos quatro cantos da net pelos muito humanistas, racionalistas e críticos ateus portugueses, no seguimento de todos os demais. 

            Como crente e Católico, e conhecendo os procedimentos da Igreja Católica em casos semelhantes, nunca acreditei na verdade destes factos. Dado porém que não consegui ter acesso aos documentos com eles relacionados, sobretudo a declaração do bispo da Diocese de Bombaim, onde os factos se passaram, mantive-me em silêncio esperando vir a conhecer essa declaração. Reproduzo-a a seguir, no original inglês. A Igreja Católica nunca afirmou que a água que escorria da imagem de Cristo configurava um milagre. Aliás, como afirma o documento do Bispo, e muito bem, a Igreja dificilmente faz declarações acerca da verdade de factos considerados pelas pessoas como milagres. A queixa apresentada junto de um tribunal contra Sanal nada tem por isso a ver com esta questão. Ao contrário do que têm afirmado muito humanisticamente, racionalmente e criticamente os ateus de todo o mundo.

            Como tenho afirmado repetidamente, as críticas inteligentes, objectivas e informadas, venham elas de onde vierem, só fazem bem à religião, certamente ao Cristianismo. Esta crítica não é, porém, nem inteligente, nem objectiva, nem informada.

              E é pena!

STATEMENT WITH REGARD TO THE IRLA CROSS – in the light of the TV Programme on the ‘Dripping Cross’


A general Observation: The official Church is slow to attribute supernatural causes to ‘extra-ordinary’ phenomena we observe in life. As far as possible, the Church tries to see if such phenomena can be explained by natural causes. Further, the Church does not pay too much attention to these extraordinary phenomena, even though she accepts the possibility that God may intervene in human life in an extraordinary way – what we often term a ‘miraculous’ way.
 
Coming to the ‘dripping Cross’ at Irla: One can doubt if this water dripping has a supernatural cause. The Church has NOT made any pronouncement on it. There is a lengthy scientific process that has to be undergone before any official pronouncement is made. It is quite possible that the dripping water may have a natural explanation.

What is surely objectionable are the statements made by the Delhi interlocutor, Mr. Sanal. We point out some of these erroneous assertions:

* Contrary to the interlocutor’s claim, the Church does not advocate the worship of images. There is a difference between honouring a thing and making it divine, something to be worshipped. We respect and honour the Scriptures of any religion not because the books are in themselves divine, but because they have a special significance for the adherents of that religion. We honour a cross because it is for us a reminder of the love of Jesus who died for us

* A second gratuitous assertion is that the dripping Cross has been created by priests who are out to make money! This Cross is not on Church property and the one who is alleged to have noticed the dripping water was not even a Catholic. To the best of our knowledge, no money has been collected by any priest. And surely, priests do not build churches with such money, as is claimed by the interlocutor.

* A third unwarranted statement is that the Pope or the Church is against Science. The interlocutor would only have to go to Wikipedia, the free encyclopedia on the internet, to see the list of eminent Catholic scientists and how the Church has supported scientific research since the emergence of the European universities in the Middle Ages. There is a Pontifical Academy of Sciences, founded in 1603, which seeks to pay honour to pure science, wherever it is found, to assure its freedom and to promote its research.

I realize that the interlocutor has made these and other unwarranted statements out of ignorance – he is unaware of facts. The least he could do would be to apologize to the Catholic community for hurting it, even though it might be inadvertently.

+ Bishop Agnelo Gracias
Auxiliary Bishop of Bombay